A explosão de “A Sina de Ofélia” nas redes sociais escancarou uma nova fronteira — e um novo problema — da indústria musical. Apresentada como uma colaboração inédita entre Luísa Sonza e Dilsinho, a faixa viralizou rapidamente no TikTok, no Instagram e no YouTube. No entanto, não se tratava de um lançamento oficial, nem de uma gravação real. A música foi criada por inteligência artificial, com vozes sintéticas que imitam artistas brasileiros e uma melodia adaptada de uma canção internacional recente.

Logo nas primeiras horas de circulação, o público se dividiu entre o entusiasmo e a confusão. Muitos acreditaram que estavam diante de um feat inesperado. Outros perceberam sinais de artificialidade nos vocais. Ainda assim, o algoritmo fez seu trabalho: o áudio se espalhou, gerou engajamento e atravessou bolhas, alcançando até quem não costuma acompanhar experimentos com IA. (Se liga no som).
Embora tenha sido divulgada como algo novo, “A Sina de Ofélia” não surgiu do zero. A faixa é uma adaptação em português de “The Fate of Ophelia”, música atribuída à Taylor Swift e lançada em 2025. A IA traduziu a letra, ajustou o arranjo para um registro mais próximo do pop brasileiro com influência de pagode e aplicou modelos de clonagem vocal para simular Luísa Sonza e Dilsinho.
Nenhum dos artistas envolvidos — nem os brasileiros cujas vozes foram imitadas, nem os autores da obra original — autorizou o uso. Ainda assim, a música chegou a aparecer em plataformas de streaming por meio de perfis não oficiais, antes de ser retirada.
Fonte: Tribuna do Planalto
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