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Sexta-feira, 17 de abril de 2026
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Justiça decreta prisão de médico que fez 'harmonização de bumbum' em mulher que morreu horas após procedimento

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Justiça decreta prisão de médico que fez 'harmonização de bumbum' em mulher que morreu horas após procedimento
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O Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) decretou a prisão preventiva do médico Marcelo Alves Vasconcelos, que é réu pela morte de uma paciente que faleceu horas após um procedimento de "harmonização de bumbum". A comerciante Adriana Barros Lima Laurentino tinha 46 anos e morreu em janeiro de 2025.

De acordo com a família, o procedimento foi feito com polimetilmetacrilato, uma substância conhecida como PMMA, que não é recomendado para uso em fins estéticos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Marcelo Alves Vasconcelos é considerado foragido. Ele teve prisão decretada no dia 27 de março deste ano, pela juíza Danielle Christine Silva Melo Burichel, da 3ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.

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Ele responde pelo crime de homicídio qualificado por motivo torpe/ganância. A pena prevista é de 12 a 30 anos de prisão.

Na decisão em que decretou a prisão preventiva, a juíza considerou o posicionamento do Ministério Público, que foi favorável à detenção, e que a medida era necessária para "garantia da ordem pública e da saúde pública", para evitar que o médico continue fazendo procedimentos desse tipo.

A juíza também marcou uma audiência de instrução para o dia 22 de setembro deste ano.

O que diz a defesa:

Em nota, a advogada Lymark Kamaroff, que representa Marcelo Alves, informou que vai contestar a decisão e que "confia que as autoridades vão esclarecer os fatos da forma correta".

O comunicado diz também que o caso de Adriana Barros Lima Laurentino corre em segredo de Justiça e, por isso, "todas as questões médicas e técnicas serão tratadas apenas dentro do processo, com base em laudos e demais provas".

A advogada informou ainda que a paciente não tinha qualquer comorbidade ou contraindicação para o procedimento, que todos os exames foram realizados e não apontavam qualquer empecilho ou contraindicação para o procedimento.

O g1 e a TV Globo também tentaram contato com a clínica Bodyplastia, onde ele atendia, mas, não obtiveram resposta até a última atualização desta reportagem.

O caso:

Adriana Barros foi encontrada morta no banheiro de casa. Segundo familiares, ela se queixou de dores intensas logo depois de ser liberada pela clínica Bodyplastia, onde realizou a intervenção. De acordo com as investigações realizadas pela Polícia Civil, a vítima morreu de embolia pulmonar.

Entretanto, ela também sofreu choque séptico (infecção generalizada) causada por uma infecção urinária anterior, mas que foi agravada devido à realização do procedimento médico.

O inquérito da polícia também aponta que o médico tinha ciência das intercorrências que o produto poderia causar e isso indica que ele assumiu o risco do resultado que poderia ocorrer, "além de ser indiferente a ele, considerando a mercantilização generalizada estimulada pelo profissional".

Além disso, segundo o inquérito, ele "não realizou um exame prévio detido na paciente" e só a viu no dia do procedimento, data em que ela o pagou R$ 21 mil para a realização da "harmonização de bumbum".

Caso tivesse pedido exames simples, como de urina e de sangue, o médico poderia ter evitado a morte, principalmente ao diagnosticar a infecção urinária de que ela sofria.

"Demonstra-se que a finalidade aqui não é o bem-estar da paciente, mas, sim o lucro exorbitante do investigado", afirma o documento.

Outra irregularidade apontada pela polícia é que, na época do procedimento, ele não tinha inscrição no Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), e exercia a atividade de forma ilegal no estado.

Além disso, a polícia também cita o histórico criminal do médico, já que ele é apontado como participante de um "grande esquema de fraude em ingresso nos cursos de Medicina nos estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro, com a cobrança de até R$ 140 mil por vaga.

Fonte: G1 Pernambuco

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